Sociedade

O Tsunami Macroeconômico do Custo Zero

Nesse artigo, quero subir com você a dois quilômetros da superfície. Quero que a gente converse a nível macro da economia e da sociedade. Quero também observar o horizonte com você e falar de futuro.

Quando terminar, vai ter uma visão do futuro que poucos têm. Isso vai lhe permitir antecipar inúmeras tendências e marés que estão prestes a tomar conta da nossa vida.

Se você for empresário, é bom se preparar para essas transformações para se manter competitivo.

Se for empreendedor, tem que ficar ligado nelas para agarrar as oportunidades quando passarem.

Se for emprego, precisa tomar cuidado para não ser achatado quando o rolo compressor chegar.

Rolo Compressor

Topa subir no passeio? Aperte o cinto.

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O governo somos nós

Em época de eleição, o que mais se discute são os programas dos partidos e dos candidatos e a defesa destes programas.

O que raramente paramos para discutir são as mentalidades que existem na sociedade que tornam os programas ineficazes.

Por exemplo, a prefeitura de São Luis investe milhões de reais na coleta de lixo na cidade e ainda instituiu uma taxa de coleta de lixo este ano. A coleta de lixo é um PROGRAMA da prefeitura. Este programa não precisaria nem existir se os habitantes de São Luis adotassem a MENTALIDADE de cuidar do meio ambiente. Quantas vezes corro na praia e encontro as sobras de um côco que alguém consumiu mas não se deu o trabalho de levar até o lixo. Qual seria o esforço necessário para simplesmente jogar estas sobras num dos lixeiros apropriados? Minúsculo.

No seu livro “Além da Civilização”, Daniel Quinn propõe que as transformações sociais são provocadas não por programas novos, mas por mentalidades novas. Imagine quanto dinheiro do seu e do meu bolso poderíamos economizar se você, eu e todos na nossa família nos propuséssemos a mudar a nossa mentalidade e assumir o comando da situação…

Transformando a sociedade

Existe um mito no Brasil. Este mito é que um dia, alguma coisa vai acontecer e tudo vai mudar para o melhor. Alguém vai fazer esta mudança. O contexto político vai mudar. A economia vai se fortalecer. A violência vai diminuir. A riqueza vai ser repartida. A poluição vai parar. Todo dia, converso com pessoas que acreditam e perpetuam esse mito. Enquanto elas aguardam a mudança, reclamam e se queixam daqueles problemas que as incomodam. Pensam e dizem que cabe aos outros a responsabilidade de resolver esses problemas.

Que impasse! Esse mito perpetua a ilusão de que estamos à mercê da vontade do vizinho, que decide de nos ajudar ou não. Cabe, no entanto, a todos nós, como cidadãos responsáveis, de assumir uma parte da realização das mudanças que desejamos.

A chegada de Lula à Presidência da República abriu uma brecha na mente da população brasileira em relação às possibilidades que existem para o cidadão, por mais humilde que seja. Mostrou-nos que a persistência paga. Com dedicação, esforço e flexibilidade, Lula conquistou o cobiçado cargo de Presidente. A população vibrou. Os índices populares de esperança dispararam. E agora que a fumaça dos fogos de celebração está se dissipando, precisamos concretizar esta esperança, senão que a energia se dissipa também.

Pinceladas no quadro social

Quando conversamos sobre mudanças, usamos muito as palavras “sociedade”, “cultura”, e “governo”, entre outras. Essas palavras são conceitos abstratos sobre os quais o indivíduo não pode agir. Como é que eu e você poderíamos influenciar a sociedade? Como é que eu e você poderíamos alterar a cultura? Como é que eu e você poderíamos orientar o governo?

Sociedade, cultura, e governo são palavras usadas para descrever um conjunto de pessoas ou um conjunto de idéias. A sociedade recifense só existe por que mais de 1 milhão de indivíduos interagem neste território. A existência da cultura pernambucana depende da troca de idéias que existe entre indivíduos a respeito dela e que a perpetuam. O governo consiste de indivíduos trabalhando em equipe para realizar projetos que se enquadram num mandato.

Se aceitamos essas pressuposições, qualquer mudança dentro na sociedade, na cultura, ou no governo, deve começar nos próprios indivíduos que fazem parte desses conjuntos. Cada conjunto é fruto da consciência dos indivíduos que o constituem. Para que evolua um conjunto, deve primeiro evoluir a consciência dos indivíduos. A influência pode vir de fora, mas a transformação deve ter sua origem dentro do conjunto. Nesta base, vamos examinar de um pouco mais perto como se gera a transformação de uma sociedade.

Simples e ao mesmo tempo complexa

Qualquer transformação nasce de uma idéia, seja ela ambiciosa ou humilde. Já aconteceu você se deitar e ficar sonhando com um mundo maravilhoso, girado da forma que você deseja? Todo ser humano, a um momento ou outro de sua vida, se dá conta dos limites do sistema social no qual está vivendo e deseja que as coisas aconteçam de forma diferente. Cada pessoa constrói uma idéia do universo no qual gostaria de viver. Para alguns, este universo não teria nenhum buraco nas estradas. Para outros, nenhuma criança sofreria da fome. Certas pessoas fixam esta idéia na mente, e outras acreditam que não passa de um sonho e a esquecem.

A segunda etapa requer que uma pessoa abrace esta idéia e a firme numa visão explícita. Uma visão explícita descreve em detalhes o resultado concreto da transformação, e a dinâmica social que existirá dentro da nova realidade. Esta visão se torna o destino para o qual essa pessoa deseja viajar e levar aqueles que também acreditarem nela. A partir do momento em que uma pessoa se compromete a tornar esta visão uma realidade, ela passa a ser líder. Um líder é um indivíduo que se compromete a ir primeiro, a se transformar antes dos outros, e a ajudar os outros a se transformarem em seguida. Entre os grandes líderes da história, podemos contar Martin Luther King, Gandhi, e Nelson Mandela. Como disse o Luther King, “Eu tenho um sonho”. O líder abraça o sonho como concreto e acredita nele.

Em terceiro lugar, o líder espalha sua idéia e forma uma equipe para concretizá-la. Sem uma equipe, nem a idéia nem o líder vão a canto nenhum. Da mesma maneira que uma semente requer um solo fértil para germinar, uma idéia precisa se enraizar em mentes férteis. Então, o líder constitue uma equipe de pessoas capazes e comprometidas para dar vida à idéia. Na equipe, a idéia cresce, se define, é podada, remexida, batida, até o momento em que é desenvolvido um plano de ação. Cada membro da equipe é designado para cumprir um papel na execução do plano.

Então a transformação nasce de uma idéia. Esta idéia é abraçada por um líder, que forma uma equipe para criar um plano de ação e executá-lo em vista da concretização da idéia.

“Ué, cadê a complexidade nisto?”

O único desafio do processo consiste em vencer a inércia que abate a grande maioria. Inércia que se expressa em comentários como “ah, sempre foi desse jeito” ou “mas a gente não tem garantia de que vai funcionar”. E que desafio! Ainda acredito que a psicologia e os mecanismos da mente estejam entre as maiores forças que existem no mundo. Eles tem o poder de desencadear recursos para a mudança ou então bloquear novas possibilidades. Mas o que é que segura as mentalidades no lugar e perpetua o passado?

A cultura!

Vamos definir a cultura muito simplesmente e de modo geral como “a nossa maneira condicionada de pensar e fazer as coisas”. A nossa maneira condicionada de encarar o mundo e a vida. A nossa maneira condicionada de cozinhar. A nossa maneira condicionada de administrar. A nossa maneira condicionada de celebrar. A nossa maneira condicionada de nos relacionarmos com os outros. Isto define a cultura e essa definição se aplica a qualquer cultura do mundo. A cultura social enquadra a cultura pessoal de cada um. Cada indivíduo tem sua própria cultura, ou seja, uma maneira condicionada de pensar e fazer as coisas, diretamente ligada a seu nível de consciência.

De modo geral, a sociedade obtém sua orientação pela cultura que a anima. Para que a sociedade evolua, a cultura deve evoluir primeiro. A população deve deixar de aceitar hábitos e comportamentos que antes aceitava e passar a promover hábitos e comportamentos que antes não promovia. E este processo começa com cada um de nós.

Virando a própria mesa e indo na contramão

E você, por onde vai começar este processo? Uma possibilidade é escolher uma área social que você gostaria mudasse e começar a agir na mesma. Por exemplo, se não gostar da quantidade de lixo e sujeira nas ruas, comece a apanhar 5 pedaços de lixo por dia. Se você não gostar de desonestidade, comprometa-se a se tornar uma pessoa mais honesta. É tão simples assim. Se você sabe que precisamos de maior produtividade, encontre meios de se tornar mais produtivo.

Qual é o poder real de uma pessoa? Qual é a força do exemplo do cidadão que se transforma? A história está repleta de exemplos de indivíduos que tiveram a coragem de transcender paradigmas limitados e ajudar outros a fazer o mesmo. Podemos enumerar vários: Martin Luther King, Nelson Mandela, Gandhi, Antôni Conselheiro, Zumbi, Ricardo Semler, Bruce Lee, Ben & Jerry, Anita Roddick, Sócrates, e a lista segue. O exemplo desses indivíduos influencia nossa maneira de pensar e agir até hoje. Não há diferença entre nós e eles. Eles simplesmente agiram sobre uma idéia que tiveram, e você também pode!

Vamos juntos. Vamos transformar o Brasil no país mais gostoso e surpreendente que possa ser. Temos tudo para vencer aqui. Tudo. Aproveitando o seu ânimo e sua força, sei que conseguiremos ir além do que imaginam possível. Acredite no poder que você tem de transformar o seu ambiente, começando com você mesmo. Todos estamos contando com sua participação.

O fracasso do sistema de ensino no Brasil

Finalmente consegui montar um resumo da minha avaliação do que chamam o sistema de educação no Brasil. Na filosofia Desafiando, claro, não se trata de um sistema de educação e bem de um sistema de ensino — duas coisas bem distintas. Mas aqui vai…

No Ensino Fundamental, ensinamos ao jovem como usar sua mente para memorizar, armazenar informações e regurgitá-las do jeito que foram armazenadas, para armazenar regras, lembrar e obeceder a essas regras.

No Ensino Médio, ensinamos ao jovem essas mesmas coisas, mais algumas maneiras de usar a mente analiticamente, para raciocinar, encontrar alternativas e solucionar problemas.

Depois de 8 anos e R$50.000 investidos, as vezes até mais, é só isso que a pessoa sabe fazer. Nunca tentamos ensinar às pessoas a usarem suas mentes criativamente para definir e realizar metas valiosas. Frequentemente, o cidadão passará sua vida inteira sem nem descobrir como a mente pode ser usada sistematicamente para este propósito.

Educar e estimular o potencial humano para maximizar sua expressão, seu desenvolvimento e seu exercício. Educar é cultivar seres humanos. Ensinar é outra coisa. E se a educação se resumir às funções que descrevi acima, não devemos nos espantar da sociedade que criamos.

Qualificação profissional = tempo de estudo? Nunca!

Num estudo recente, o economista Adriano Sarquis, funcionário do Banco do Nordeste e doutorando em economia pela UFRJ, revelou que o número de anos de estudo passou de 5,7 para 7,5 anos. Em contrapartida, mostrou que no Nordeste, esse aumento não correspondeu a um aumento de salário.

O problema do artigo da Folha de São Paulo que tratava da pesquisa foi o autor do artigo ter equacionado tempo de estudo com qualificação profissional. Citando especificamente,

“Apesar da significativa melhoria na qualificação de sua mão-de-obra e da política agressiva de atração de indústrias por meio de isenção fiscal, os trabalhadores nordestinos não viram seus salários crescer de 1994 a 2005.”

Infelizmente, estudo, escolaridade e diplomas não são sinônimos de qualificação profissional. Os empresários que o digam. Quantos de nós não já contratamos colaboradores com pós-graduação em marketing na FGV que não conseguiam vender absolutamente nada?

Qualificação profissional significa ser capaz de produzir resultados. E a única maneira de aprender a produzir resultados é na prática. É como andar de carro. Você pode passar 80 horas sentado num banco, estudando mecânica, sinalização de trânsito, legislação dos veículos motorizados, anatomia do veículo, etc. sem que isso se traduza em habilidade no volante.

Aprendemos a andar andando. Aprendemos a dirigir dirigindo. Aprendemos a falar falando. Aprendemos a vender vendendo. Aprendemos a planejar planejando. Qualificação profissional é a capacidade de produzir resultados e ponto final. E só aprendemos a produzir resultados produzindo resultados, não fazendo especialização, mestrado ou doutorado.

O único resultado que aprendemos a produzir nos ambientes acadêmicos é redigir uma monografia. E olhe lá, por que o mercado está saturado de “monografistas de aluguel” que, por uma devida quantia, se farão o prazer de fornecer-lhe a sua. Corrijo-me. No ambiente acadêmico, nem a capacidade de escrever uma monografia está garantida.

Qualificação profissional = tempo de estudo? Faça-me rir…