Domínio Profissional

Qualificação profissional = tempo de estudo? Nunca!

Num estudo recente, o economista Adriano Sarquis, funcionário do Banco do Nordeste e doutorando em economia pela UFRJ, revelou que o número de anos de estudo passou de 5,7 para 7,5 anos. Em contrapartida, mostrou que no Nordeste, esse aumento não correspondeu a um aumento de salário.

O problema do artigo da Folha de São Paulo que tratava da pesquisa foi o autor do artigo ter equacionado tempo de estudo com qualificação profissional. Citando especificamente,

“Apesar da significativa melhoria na qualificação de sua mão-de-obra e da política agressiva de atração de indústrias por meio de isenção fiscal, os trabalhadores nordestinos não viram seus salários crescer de 1994 a 2005.”

Infelizmente, estudo, escolaridade e diplomas não são sinônimos de qualificação profissional. Os empresários que o digam. Quantos de nós não já contratamos colaboradores com pós-graduação em marketing na FGV que não conseguiam vender absolutamente nada?

Qualificação profissional significa ser capaz de produzir resultados. E a única maneira de aprender a produzir resultados é na prática. É como andar de carro. Você pode passar 80 horas sentado num banco, estudando mecânica, sinalização de trânsito, legislação dos veículos motorizados, anatomia do veículo, etc. sem que isso se traduza em habilidade no volante.

Aprendemos a andar andando. Aprendemos a dirigir dirigindo. Aprendemos a falar falando. Aprendemos a vender vendendo. Aprendemos a planejar planejando. Qualificação profissional é a capacidade de produzir resultados e ponto final. E só aprendemos a produzir resultados produzindo resultados, não fazendo especialização, mestrado ou doutorado.

O único resultado que aprendemos a produzir nos ambientes acadêmicos é redigir uma monografia. E olhe lá, por que o mercado está saturado de “monografistas de aluguel” que, por uma devida quantia, se farão o prazer de fornecer-lhe a sua. Corrijo-me. No ambiente acadêmico, nem a capacidade de escrever uma monografia está garantida.

Qualificação profissional = tempo de estudo? Faça-me rir…

Que Faculdade Devo Fazer?

Os jovens estão SEMPRE me perguntando que profissão devem escolher. Digo a eles “Não escolha nenhuma. Escolha todas. Até hoje não sei o que vou fazer quando vou crescer.”

Aqui está o caminho que eu segui.

Quando estava na faculdade em Washington DC, não me contentei com as aulas. Na verdade, matei um número muito grande de aulas. Sempre tive facilidade para aprender e achava que o verdadeiro aprendizado aprenderia com meus colegas. Ficava acordado até 4-5 horas da manhã em cafés e nas residências estudantis debatendo questões filosóficas, políticas, culturais e outras. Aprendi muito mais de meus colegas do que meus professores. Discutia os eventos modernos sentado nos degraus nos monumentos de Lincoln, Jefferson e Einstein. Pesquisava a história dos Estados Unidos nos Museus Smithsonian.

Também, desenvolvi habilidades que não tinham nada a ver com meu curso. Aprendi a programar sites internet. E olhe que isso aconteceu em meiados dos anos 90, quando a internet ainda não era tão espalhada quanto é hoje. Também fui gerente de residência estudantil, que me deu boas experiências de gestão, liderança, motivação e supervisão. E aprendi a tocar violão com um colega meu; a gente arranhava um violão antigo para tentar puxar as músicas de Nirvana e Green Day.

Em terceiro lugar, li muito. Só que o que lia não tinha nada a ver com o curso. Lia romances que colegas recomendavam, livros na lista dos best-sellers, revistas especializadas como “Home Recording” (para músicos), “The Economist”, e revistas de arquitetura.

Eu não tinha muita vontade de aprender o que era ensinado nas aulas.
Eu não tinha paciência para aprender aquilo.

Minha vivência de faculdade girou em tornou das relações sociais que desenvolvi, esportes e bate-papos.

Quando comecei a namorar na faculdade, minhas notas despencaram. Quase fico reprovado um semestre. Ainda bem que passei por cima.

Fui passar um semestre no Chile durante meus “estudos”. Foi uma das melhores decisões que tomei na vida. A convivência numa família em outra cultura foi fantástica pra mim. A sensação de me sentir em casa com estranhos fez mais pela minha personalidade do que qualquer outra experiência na minha vida.

Quando terminei o mestrado, fui embora para o Canada. Apesar de ter me formado em Economia, minhas habilidades como Web Designer provaram ser mais valiosas profissionalmente. Desenvolvi sites para ONGs e pequenas empresas. Depois de sete meses de fazer isso, resolvi passar umas férias no Brasil. Terminei ficando quatro meses.

Quando voltei do Brasil, estava a fim de novidades. Liguei para um colega meu em Washington e avisei que iria visitá-lo. Também falei que estava procurando um novo desafio e que, se tivesse alguma possibilidade na empresa dele, toparia uma entrevista.

Isso me conduziu a aventuras e mais aventuras. Me tornei um “trapezista das profissões”. Fui de programador web para gerente de marketing, consultor em estratégia de marketing, para vendedor turístico, para treinador de empreendedores, para terapeuta, para músico de rua, para telemarketeiro, para autor, conferecencista até me tornar o maior especialista em motivação de adolescentes no Brasil.

A melhor coisa que aprendi na universidade veio de meu professor de Economia Política Internacional, James Walsch. Ele disse, “Martin, desenvolva habilidades reais. Seu curso universitário não lhe dará nenhuma.” A medida que avancei na vida, me dei conta que os diplomas não importam – o que importa é a capacidade de produzir resultados.

De repente, virei um estudante voraz. Cada dia trazia novas lições. Eu não estava mais só lendo e ouvindo aulas; eu estava estudando a realidade e atuando em cima dela para ver o que acontecia.

Passei a ADORAR aprender – estando presente e agindo.

Primeira lição. A aprendizagem na vida real detona a aprendizagem nos livros por 100 a 1. Mas esse “1” ainda é necessário. Existe uma grande diferença entre “ler sobre algo” e “viver algo”. A maioria dos professores passam a vida assistindo o jogo do banco; os empreendedores fazem a vida acontecer. SUA AÇÃO: Ponha uma aula sua em prática, hoje mesmo.

Segunda lição. Interesse, paixão e desejo são fundamentais para aprender. Uma vez que eu me interessava por algo, eu literalmente DEVORAVA livros, sites internet, palestras, revistas, diálogos com especialistas e outras fontes de informações sobre o assunto. SUA AÇÃO: Escolha algo que lhe interessa, não algo que você acha que “tem mercado”.

Terceira lição. A sala de aula é necessária, mas sem utilidade se não houver aplicação concreta dos princípios aprendidos na vida real. Ler livros e assistir aulas podem lhe dar alguma compreensão SOBRE um assunto. Realizar e pôr em prática resultará no seu DOMÍNIO de uma área e a capacidade de produzir resultados. SUA AÇÃO: Construa uma biblioteca de recursos sobre as áreas de resultado que você quer dominar.

Quarta lição. Para ter sucesso, você precisa cavar mais profundamente até saber POR QUE você quer o que quer dominar. Você precisa SER e FAZER para TER o que quer. A raíz disso tudo é a paixão, o desejo, o interesse e o compromisso. SUA AÇÃO: Estabeleça metas que você sabe que pode atingir.

Quinta lição. Minha vontade pessoal era de ser o ÚNICO a fazer o que eu faço. Isso me levou a escrever, palestrar e ajudar as pessoas. Isso ainda me motiva, por causa de outro fator: PAIXÃO. Sou apaixonado pelo que faço. Você também precisa encontrar essa paixão dentro de você. SUA AÇÃO: Ame o que faz ou comece a fazer o que ama.

Essas lições não tem nada a ver com “escolher uma profissão” e tudo a ver com “escolher uma vida”. São muito mais poderosas. Não existe técnica que barre paixão e uma psicologia vencedora. Comecei quando tinha 22 anos de idade e continuo aprendendo e treinando até hoje.

Uma vez que você se dá conta que a experiência real supera a sala de aula, o sucesso se torna fácil.